sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A Fé Cristã e o Medo

Por que os cristãos sentem tanto medo? O que os leva a temer tanto a inexistência de um deus? E o que os leva a desejar tanto a existência de um deus?

Em primeiro lugar, é necessário entender que toda a fé cristã é baseada no medo - lembrando que a fé cristã não traduz os ensinamentos de Jesus Cristo, mas é apenas um meio de controle moral e intelectual que utiliza os suspostos ensinamentos de Cristo, que estão contidos na Biblia. Se um cristão percebe que alguém está fazendo uma coisa errada, ele automaticamente afirma "Deus castiga". Obviamente, essa afirmação não teria sentido se ela não causasse um temor no ouvinte. E esse medo criado no cristianismo é essencial para o seu crescimento no mundo Ocidental. Todo a vida no Ocidente se baseia no medo: quando somos pequenos, ouvimos canções de ninar que falam que algum monstro vai nos pegar quando formos dormir, ou se fizermos alguma coisa errada; quando vamos comprar um imóvel, nos preocupamos com a segurança e etc. É claro que o medo não acaba por aí. A vida não é o limite para o temor. Mesmo após a morte, os cristãos ainda afirmam que todos pagarão por seus pecados, ou seja, o medo transcende a própria vida, sendo, assim, superior a ela. Para chegar a esse nível, se fe necessária a criação do Inferno, que não passa de uma representação do motivo pelo qual temer.

Mas qual o objetivo do medo? O controle! Toda sociedade, comunidade, seita ou afim que se baseia no medo tem como objetivo principal permitir que aqueles que estão em uma posição superior possam controlar os demais. Em outras palavras, o cristianismo criou o Diabo - que é a personificação do mal - e os pecados para controlar não só as ações, mas também os pensamentos das pessoas, afinal "Não cobiçarás a mulher do próximo" - para deixar ainda mais claro, não estamos tratando dos ensinamentos de Cristo, simplesmente, então cabe, sim, citar o Antigo Testamento - é um mandamento que impede o cristão de pensar como bem entende.

Essa afirmação não está longe do que os próprios cristãos pregam, afinal eles se consideram cordeiros, e chamam Jesus, assim como seus representantes religiosos, no caso das religiões protestantes, de pastor; no caso do catolicismo, o representante religioso que tem mais contato com os fiéis é o padre, cujo significado é pai, que é uma figura de poder. E os cordeiros são criaturas que andam sempre juntos e em bando. Em outras palavras, não possuem individualidade... fazem o que fazem pelo que os outros fazem. Representam, pois, a bitolação da fé cristã.

Voltando ao tema original, o medo não para aí. Os fieis temem os não-fieis. Mas por quê? Pura e simplesmente porque não conseguem adimitir que gastaram suas vidas, crenças e princípios em uma possível farsa. É mais fácil adimitir que eles estão certos e que os demais são loucos, ou simplesmente são maus, do que acreditar que tudo no que eles acreditavam estava errado. Continuando no mesmo caminho, um fiél teme que não exista um deus porque isso significaria que ele foi enganado durante toda a sua vida, então em quem, ou no quê deveria acreditar?

Richard Dawkins, um biólogo britânico conhecido por ser um dos maiores divulgadores do neo ateísmo - vertente nova do ateísmo que é mais radical do que esse e afirma que um mundo sem crenças religiosas seria melhor - já foi perguntado "e se você estiver errado". E ele prontamente respondeu perguntando o que aconteceria se essa pessoa estivesse, também, errada quanto à não-existência de Zeus, Rá, Thor e outros deuses mais... Quando ele foi perguntado sobre o que diria se ele encontrasse com deus após sua morte, ele respondeu que falaria "Desculpe, Deus, não havia provas suficientes".

"Um vida vivida com medo é uma vida vivida pela metade" Anônimo

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Liberdade e Religião

Por que seguimos uma religião? O que nos leva a sair do nosso posto de seguir com a vida e buscar algo mais? Acreditar em algo mais? É claro que existem muitas respostas para essas perguntas. São inúmeros os motivos que nos fazem Buscar uma religião; e cada um desses motivos é compatível com uma religião (ou grupo delas).

Existe um motivo em especial que é comum às religiões monoteístas, ou, ao menos, às mais famosas. O fator principal que leva alguém a seguir essas religiões é o conforto. O conforto de não ter que pensar em muitas das perguntas primordiais, como "Quem eu sou?", "De onde vim?", "Para onde vou?". Acrescentando um deus onipresente, onisciente e onipotente, todas essas perguntas são explicadas. E quando elas não são explicadas, facilmente se tem um argumento que não pode ser discutido, como "nós não temos capacidade de compreender os planos divinos" ou "deus escreve certo por linhas tortas".

É óbvio que, como para toda regra existe uma excessão, esse raciocínio não se aplica para todas as pessoas. Mas uma característica fundamental de muitos dos monoteístas é a preguiça. Simplesmente a preguiça de se dar ao trabalho de imterpretar o seu livro sagrado, deixando esse trabalho para o "líder" dos encontros religiosos, tais como o padre, rabino (do hebraico רַבִּי), imã (em árabe امام) ou pastor. Preguiça de não se dar ao trabalho de procurar outras respostas e simplesmente se contentar com o que está à frente.

Inclusive a própria religião monoteísta já "impede" uma busca a outras respostas. O Corão diz:

"Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, Que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso!

Ele é Deus e não há outro deus senão ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens Lhe associam!

Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24)

Sendo assim não cabe aos que creem nessas palavras buscaem outras palavras.

Além disso, os monoteístas costumam ser hipócritas. Os mesmos que dizem que um dos dez mandamentos de deus é "não matarás" é a favor da pena de morte, ou, simplesmente, se acha no direito de julgar outra pessoa, enquanto esse julgamento só cabe a deus e mais ninguém. São os memos que fazem guerras santas e que tentam levar a "verdade" através da força bruta.

Uma crítica forte dos ateus para com os religiosos é justamente a afirmação de que a crença monoteísta não passa de uma crença baseada na comodidade; é mais fácil pensar que quando morremos vamos para o Paraíso do que imaginar que a morte significa o fim de toda a existência.

Por outro lado, os ateus se encontram, também, numa posição cômoda, no que diz respeito à ausência de leis (que não as criadas pelo homem) ou dogmas os quais seguir. Os ateus diferem muito entre si, porque como caracterizam-se por não acreditar em deus, isso não impede que eles acreditem em outras coisas, ou que sigam os ensinamento de uma ou mais religiões, assim um ateu pode amar ao próximo como ama a si mesmo sem necessariamente acreditar que esse ensinamento partiu do filho de deus. Porém, independentemente das outras crenças dos ateus, todos eles experimentam uma liberdade que não existe para os seguidores de alguma religião. Essa ausência de dogmas é a liberdade. Fato esse que não torna-os pessoas ruins ou algo similar; eles apenas não são obrigados a seguir determinadas obrigações que não por suas próprias convicções, e não porque alguém disse. A comodidade dos ateus é, pois, uma consequência da liberdade deles, e não o objetivo buscado.

E se existe um destino, se tudo está escrito e se deus é onipresente, um ateu so o é porque deus quer ou porque não lhe deu o suficiente para que ele pudesse acreditar, o que, ainda assim, é uma escolha divina.

"De que vale ao homem conquistar todos os tesouros da Terra e perder sua alma?" - Jesus Cristo

"A religião nunca será capaz de reformar a humanidade porque a religião é uma escravidão" - Robert Green Ingersoll

"O que somos hoje e o que seremos amanhã depende de nossos pensamentos. Se procedo mal, sofro as consequências; se procedo bem, eu mesmo me purifico." - Sidharta Gautama