quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Tao


Toda a vida existe em ciclos, sendo eles bióticos ou abióticos. A água que ingerimos anteriormente passa pela terra, segue o percurso de rios; depois que eliminamo-la, ela volta à terra, passa por organismos vegetais, volta às nuvens, desce à terra e continua o ciclo. O mesmo acontece com outras moléculas, ou até mesmo elementos químicos, como os notórios ciclo do carbono e do nidrogênio.

Um ciclo, porém, nunca existe sem equilíbrio; para tal, é necessária uma compensação entre o que é cedido e o que é recebido, ou seja, a lei kármica - ou, analogamente, a lei newtoniana da ação e reação - é o princípio fundamental para os ciclos, mesmo quando essa lei não atua sobre ações conscientes. Assim, não existe qualquer sentido falar em vida sem citar a morte.

A morte não passa, pois, de um elemento do ciclo do qual a vida faz parte. Não existe uma distinção entre esta e aquela, mas ambas se interceptam e se completam. Para tanto, o conceito de eternidade é intrínseco ao conceito de vida, mas não necessariamente uma eternidade consciencial. Em outras palavras, o conceito de eternidade da alma é externo - e não necessariamente verdadeiro - ao conceito de eternidade da vida.
Com tais premissas, não há qualquer sentido em viver a vida pensando no além-vida, ou viver uma parte do ciclo pensando em outra - ou o presente pensando no futuro. O momento é de extrema importância para seu consequente, i.e., viver o momento pensando em um outro é o mesmo que não vivê-lo.
Por outro lado, a existência do ciclo da vida implica na transmutação entre as espécies - fato esse evidenciado na teoria darwinista da evolução -, levando a uma conexão entre todos os seres. Indo além, o ciclo do carbono, por exemplo, integra, no mínimo, toda a matéria orgânica (viva ou não), reforçando os conceitos holistas - uma espécie pode ser interpretada como a manifestação imortal dos seres que a representam, podendo, pois, tomar uma espécie como um ser único e imortal.
"Sei que, se afirmasse com seriedade a alguém que o gato ocupado em brincar nesse momento no quintal é o mesmo que, há trezentos anos, fez as mesmas cabriolas e estratagemas, eu passaria por um tolo, mas sei também que é muito mais insensato acreditar numa diferença absoluta e radical entre o gato atual e aquele de há trezentos anos." Arthur Schopenhauer
Essa integração entre os seres leva a uma igualdade entre eles, evidenciando seu princípio comum, que pode ser interpretado como uma metáfora do átomo de Demócrito, ou até do princípio divino (ou energia vital). A máxima dessa afirmação é a consciência de que todos fazemos parte do todo, seja fisicamente - como exemplo os seres terrestres fazem parte do planeta e o completam - ou energeticamente - enquanto egrégora -, implicando não num conjunto de seres, mas numa comunhão deles.
"-Oh, como sofro! As outras ondas são grandes e eu sou pequena. Algumas estão em ótima situação, e eu sou tão desprezível...
-Você acha que sofre porque não viu claramente a sua forma original.
-Não sou uma onda? Então o que sou?
-Uma onda é apenas sua forma temporária. Você é água.
-Água?
-Quando perceber que sua essência é água, não ficará confusa em relação a ser uma onda e deixará de sofrer.
-Ah, entendi. Sou você, e você é eu. Somos parte de um eu maior." um koan
"Para ver o mundo em um grão de areia, e o paraíso em uma flor silvestre, segurar o infinito na palma de sua mão, e a eternidade em uma hora..." William Blake